|
|
|
|
|
|
|
|
Fale com o Padre | Assinar o Livro de Visitas | Ler o Livro de Visitas | Mande-nos um e-mail |
|
|
A devoção ao Cristo Sofredor
Fala-se
com certa freqüência do destaque que os fiéis se dão às devoções
ligadas à Paixão de Cristo, as Via-Sacras, os Calvários, as procissões
do encontro e do enterro, lamentando-se que outras devoções, que
apresentam o Senhor vivo e ressuscitado, não tenham tanto destaque. Deve-se notar que a devoção à Paixão de Cristo está solidamente apoiada na mais autêntica tradição latino-americana. |
|
Com
efeito, como bem nota o teólogo Segundo Galilea, a espiritualidade
latino-americana tem suas raízes nos santos espanhóis do séc. XVI (Sta.
Teresa d’Ávila, S. João da Cruz e Sto. Inácio de Loyola) e no
movimento espiritual iniciado por eles. Nesta espiritualidade tem grande
destaque a devoção à santa humanidade de nosso Senhor Jesus Cristo, que
aparece com mais evidência nos momentos de maior fragilidade de Jesus, o
presépio e o Calvário (aliás, pontos centrais também da
espiritualidade franciscana). Por
que realçar os sofrimentos e a morte do Senhor? Por que ficarmos
lembrando de sua Paixão, se ele está vivo e vitorioso? Para trazer
sempre presente ao nosso coração que fomos resgatados, como afirma
Pedro, “não por coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, mas pelo
precioso sangue de Cristo, cordeiro sem defeito e sem mancha” (1Pd
1,18-19); para tomarmos consciência do quanto nossa redenção foi
custosa ao Filho de Deus. É somente esta consciência de que o Filho de
Deus “me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20) que é capaz de
suscitar nos corações o amor agradecido, que leva à autêntica vida
cristã às vezes ao ponto da radicalidade do martírio. Quem não
valoriza a paixão e a morte do Senhor é incapaz de compreender o núcleo
do cristianismo, de compreender que o quanto Deus amou o mundo, “a tal
ponto que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não morra,
mas tenha vida eterna” (Jo 3,16). O afluxo de fiéis a Paróquia Senhor Bom Jesus do Horto atesta estar vivo e presente em nossas comunidades cristãs, a consciência da Paixão e dos sofrimentos do Senhor. Longe de cultuar o ídolo do sucesso e do poder, o povo cristão, iluminado por uma unção que vem do mesmo Cristo (cf. 1Jo 2, 20.27), reconhece seu Deus e Salvador, representado na imagem de um homem sofredor. De fato, são profundas as lições que a piedade popular tem a nos ensinar!
|
|